Ninguém muda ninguém;
Ninguém muda sozinho;
Nos mudamos no encontro.
Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos
transformamos.
Roberto Crema.
O Papel do Psicoterapeuta no século XXI
Se você estiver disposto a introduzir algum frescor e emoção na sua vida esse texto é seu.
Resolvi escrever alguma coisa, pensando em algo que agrade ao leitor, algo que prenda sua atencao, e penso que nada mais que falar da gente, de nós MESMOS , do comportamento humano. Como nós seres humanos nos comportamos, como vivemos de onde vem nossas crenças, hábitos, nossas heranças, regras, códigos de ética...
O homem hoje, numa visão sistêmica, já não pode mais ser visto como um ser individual. Ele não existe se não na relação com o outro , não saberia de si senão pelo outro. Seu desenvolvimento se faz numa sociedade, num contexto, numa cultura. Querer vê-lo apenas como ser individual, seria muito reducionista. Ele é único e plural.
Como psicoterapeutas precisamos entender esse homem sempre em seu contexto.. É necessário faze-lo refletir sobre suas relações e inter-relacoes com o mundo, esse mundo , que já não nos dá certezas absolutas, que não tem mais o certo e o errado. Precisamos olhar para as diferenças, que abrem uma infinidade de possibilidades, e que nos dá a chance de fazer nossas próprias escolhas . As coisas não são determinadas. Enquanto estamos vivos, estamos mudando, transformando. Por isso sempre é tempo de novas escolhas, se as que foram feitas até esse momento da vida, não estão trazendo prazer e felicidade. Essas buscas que são incessantes durante toda a vida, nos permitem a todo tempo correções de rumo e quebra de paradigmas. Nós seres humanos somos participantes, o que fazemos nos conecta com os outros, o que expressamos molda nossas vidas e nossos entendimentos. Precisamos aprender a aprender, aprender a viver e a conviver com os iguais e principalmente com os diferentes.
As terapias não são mais para “fazer para” o paciente, mas para “fazer com” ele, é um projeto conversacional e colaborativo.
Tom Andersen, psiquiatra e professor na Noruega, nos coloca para pensar num dialogo entre terapeutas e clientes, onde os profissionais não encontram seus clientes com hipóteses previas. Juntos eles se engajam numa conversa que se torna uma busca pelo ainda-não-visto, pelo ainda-não-pensado, e por compreensões alternativas do que tenha sido definido como problemático. Assim vão se ampliando as possibilidades de mudança.
Segundo Shooter, construcionista social ,nosso conhecimento vai sendo construído através dos tempos..O conhecimento é co-construído , os objetos de nosso conhecimento são aquilo que convencionamos através de nossa cultura. . A vida das pessoas é o que as pessoas pensam que é a vida delas. É o significado que tem as coisas para a vida cada uma delas. Se ampliamos o foco percebemos que o que é absolutamente correto e prazeroso para a vida de uma mãe, por exemplo não trabalhar fora para cuidar do filho, para outra mãe, na mesma época de vida, é uma submissão ao marido, ao machismo e totalmente obrigatório. E cada uma de seu ponto de vista está correta.
O terapeuta atua conversando, construindo e desconstruindo conceitos que de alguma forma afetam a vida das pessoas e mantém o problema. A alavanca para a mudança são as competências de cada um, que vão sendo descobertas ou redescobertas ao longo do processo terapêutico.
O desenvolvimento do ser humano integra raça, classe, gênero e cultura como foco central da estrutura de desenvolvimento nas formas fundamentais. A maturidade é definida dentro do contexto do indivíduo, que é sua habilidade para viver em relações respeitosas com os outros e com o complexo e multifacetado do mundo, enquanto sendo capaz de controlar seus próprios impulsos, e sua habilidade de pensar e funcionar por si mesmos na bases de seus valores e crenças, mesmo que os que estão ao redor não dividam pensamentos iguais.
Maturidade requer a habilidade de empatizar, confiar, comunicar , colaborar, e respeitar aos outros que são diferentes e negocias sua interdependência com o meio , e com os amigos, parceiros, família, comunidade, e sociedade de formas que não explorem os demais. Enfim, conviver com a diversidade, tão discutida na mídia, nos discursos políticos, nas rodas.
Se conectar com o outro se torna um desafio especial quando eles são diferentes da gente. O aspecto mais desafiador do desenvolvimento envolve nossas crenças , e a interação com outros que são diferentes de nós mesmos: homem de mulher, jovem de velho, negros de brancos, ricos de pobres, heterossexuais de homossexuais. Nosso nível de maturidade nessa dimensão dependerá de como nossas diferenças e conexões foram estabelecidas conosco, com nossa família, com nossa comunidade, com nossa cultura de origem, e com a nossa sociedade como um todo.